A tese a favor da ITUB4 começa pela rentabilidade estrutural. O Itaú Unibanco entrega ROE consistentemente acima de 18% nos últimos ciclos, um dos mais altos entre bancos do mundo de porte similar. Essa rentabilidade vem de margem financeira robusta, eficiência operacional medida pelo índice de cost-to-income próximo de 40%, e diversificação de receita entre crédito, tarifas, seguros e gestão. O ROE alto se traduz em valor crescente para o acionista mesmo com payout moderado.
O segundo pilar é a escala. Com mais de 70 milhões de clientes e ativos consolidados acima de R$ 2,7 trilhões, o Itaú tem vantagens competitivas em custos unitários, dados para análise de crédito, e capacidade de cross-selling entre produtos. A digitalização agressiva nos últimos anos reduziu o número de agências físicas e o custo de servir, sem perder base de clientes para fintechs e bancos digitais.
A geração de capital e dividendos é o terceiro ponto. O Itaú Unibanco tem política de pagar entre 25% e 35% do lucro líquido como dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), com possibilidade de pagamentos extraordinários quando há excesso de capital. JCPs trazem benefício fiscal ao acionista pessoa física, dado que são tributados em 15% na fonte mas reduzem o lucro tributável da empresa. O histórico de dividend yield costuma variar entre 3% e 8% ao ano em ciclos normais.
Por fim, há a posição defensiva relativa. Bancos brasileiros operam em mercado oligopolizado (cinco grandes concentram mais de 80% dos ativos), com barreiras regulatórias altas e relação histórica próxima ao Banco Central. Em ciclos de Selic alta, a margem financeira do Itaú expande porque os depósitos à vista (sem custo) financiam parcela relevante do balanço enquanto o crédito é remunerado em CDI mais spread. Isso faz ITUB4 um ativo de relativa estabilidade em portfolios brasileiros.