O principal risco da Taesa é o regulatório. Como atua sob concessão da Aneel, qualquer mudança em metodologia de cálculo de RAP, em fator X (redução periódica da receita) ou em regras de revisão tarifária pode afetar a rentabilidade. As revisões tarifárias periódicas, que acontecem em ciclos de 4 a 5 anos, podem reduzir RAP de concessões maduras com base em premissas atualizadas de custo de capital e eficiência operacional. Mudanças de governo e de diretoria da Aneel adicionam volatilidade política a esse risco.
O segundo risco é a competição em leilões. Empresas como Eletrobras, Engie, ISA-CTEEP, Equatorial Transmissão e novos entrantes (incluindo grupos chineses) competem agressivamente em leilões da Aneel, frequentemente com TIRs apertadas que pressionam retorno do capital investido. Em ambiente de juros baixos, leilões podem sair com deságio elevado sobre RAP teto, reduzindo margem dos novos projetos. Vencer poucos leilões em sequência pode comprometer pipeline de crescimento.
A alavancagem é outro fator a observar. Projetos de transmissão são intensivos em capex (subestações, torres, cabos, equipamentos), e a Taesa tradicionalmente financia obras com dívida atrelada a IPCA ou CDI. Em ciclos de juros altos, o custo da dívida pressiona resultado, e a relação dívida líquida sobre Ebitda costuma flutuar entre 2 e 4 vezes ao longo do ciclo. Compromissos de capex em obras de greenfield ainda em construção criam pressão temporária sobre fluxo de caixa livre.
Há também risco de execução em obras. Atrasos no licenciamento ambiental, problemas com comunidades indígenas ou tradicionais nas faixas de servidão, dificuldades em supply chain de equipamentos ou condições climáticas adversas podem postergar entrada em operação de linhas, gerando perda de RAP e custos adicionais. Em projetos com prazo regulatório rígido, atrasos podem gerar multas relevantes. Por fim, há risco de integridade física dos ativos, com linhas sujeitas a tempestades, queimadas, sabotagem e furto de cabos, exigindo operação e manutenção contínua.