O maior risco da BBDC4 é a deterioração da rentabilidade. O Bradesco passou os últimos cinco anos com ROE estruturalmente abaixo dos pares (Itaú e Banco do Brasil), frequentemente entre 12% e 16% contra 18% a 22% do Itaú. As causas incluem qualidade de carteira de crédito mais fraca em determinados segmentos, custos operacionais altos pela rede física grande, e dificuldade de migrar clientes para plataformas digitais sem perder receita de tarifas. A reorganização recente busca reverter, mas o gap não fechou.
O segundo risco é regulatório e competitivo. Como qualquer banco brasileiro, BBDC4 sofre com Pix (que reduz receita com TED e DOC), Open Finance (competição por dados), e tetos de juros em rotativo de cartão. A competição com fintechs como Nubank tem corroído base no segmento jovem e de baixa renda. A unificação dos canais digitais foi tardia em comparação com Itaú e Santander, e o NPS do banco em pesquisas independentes geralmente fica abaixo dos pares.
A inadimplência cíclica é o terceiro vetor de risco. O Bradesco historicamente tem maior exposição relativa a pequenas e médias empresas e a pessoa física de menor renda do que o Itaú, segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico. Em períodos como 2022 a 2023, a inadimplência subiu mais rápido na carteira do Bradesco do que nos pares, pressionando provisões e lucro. O Banco Central tem normas mais conservadoras para provisão de NPLs do que padrões internacionais.
Há ainda riscos estruturais. A rede de agências grande, antes vantagem competitiva, se tornou peso operacional em era digital. O Bradesco fechou centenas de agências nos últimos anos mas o ritmo é lento por questões trabalhistas e de relacionamento. A Cidade de Deus, controladora, tem governança peculiar (fundação) que pode atrasar decisões estratégicas. Por fim, em ciclos de Selic baixa e inflação alta, a margem financeira do Bradesco se comprime mais que a de bancos com balanço mais leve.