O maior risco da GGBR4 é a ciclicidade do setor siderúrgico. O aço é commodity altamente cíclica, com demanda atrelada a construção civil, infraestrutura e indústria automotiva. Em recessões ou desacelerações de investimento, a demanda cai rapidamente e os preços recuam. A China, maior produtora e consumidora mundial, pode despejar excedentes nos mercados americanos via exportações em momentos de excesso de capacidade local, pressionando preços globais e margens de produtores não chineses. A Gerdau, embora não exportadora majoritária, sofre com efeito-cascata sobre preços de referência.
A dependência da construção civil é o segundo grande risco. No Brasil, o setor depende de financiamento habitacional, programas governamentais como Minha Casa Minha Vida e ciclos de juros. Quando o Banco Central eleva a Selic para conter inflação, financiamentos de longo prazo encarecem e demanda por vergalhões e perfis cai materialmente. Nos Estados Unidos, ciclos de juros do Federal Reserve impactam mercado residencial e construção comercial. A demanda de infraestrutura tem sido relativamente resiliente via leis de investimento federal, mas dependente de aprovações políticas que podem mudar com troca de governo.
O risco de capital intensivo é o terceiro pilar. Siderurgia exige capex elevado e contínuo, tanto para manutenção de plantas existentes quanto para modernização tecnológica. A transição para aço de baixo carbono via hidrogênio verde, ferros pré-reduzidos e captura de carbono exige investimentos pesados nas próximas décadas. Empresas que não acompanharem podem enfrentar custo de capital crescente e barreiras regulatórias em mercados europeus via mecanismos como CBAM (carbon border adjustment mechanism), que penalizam aço de pegada alta importado.
Há também riscos cambiais e de matéria-prima. O preço da sucata no mercado americano e europeu, do minério de ferro e do carvão metalúrgico podem subir mais rápido que os preços de venda do aço, comprometendo spreads metálicos. O dólar tem efeito misto: a operação americana é totalmente dolarizada, beneficiando-se de desvalorização do real na consolidação, mas a operação brasileira sofre com encarecimento de matérias-primas importadas. A energia elétrica, insumo crítico para mini-mills, é exposta a tarifas regulatórias, escassez hídrica e risco político em vários mercados onde a Gerdau opera. Por fim, riscos regulatórios e comerciais incluem tarifas anti-dumping, salvaguardas e disputas comerciais que podem afetar volumes e margens.