O principal risco do MXRF11 é o de crédito. Como FII de papel, a receita do fundo depende do pagamento pontual dos CRIs em carteira pelos respectivos devedores, e qualquer deterioração no ambiente de crédito imobiliário, como aumento de inadimplência em construtoras ou recuperação judicial de incorporadoras, afeta diretamente a distribuição. Embora a diversificação ajude, ciclos de estresse no setor imobiliário, como o vivido em 2015 e 2016, podem gerar provisões e perdas que comprimem o yield mensal. O cotista precisa entender que estabilidade não é garantida e que a carteira tem risco de crédito real.
A sensibilidade ao ciclo de juros é dupla. Em ciclos de Selic alta, os CRIs pós-fixados em CDI ou IPCA entregam yields nominais elevados, mas o preço da cota pode sofrer com rotação de capital para títulos públicos e percepção geral de aversão a risco. Em ciclos de Selic baixa, os spreads sobre CDI e IPCA podem comprimir, e o fluxo nominal cai. A natureza de papel do fundo o torna mais sensível a movimentos de curva de juros que FIIs de tijolo puros, característica que pode surpreender investidores menos experientes que esperam comportamento idêntico ao de aluguel.
Há também o risco de gestão e alocação. A qualidade dos CRIs comprados, o cuidado com diligência de devedores e a velocidade de provisionamento de operações em estresse dependem da equipe gestora. Decisões equivocadas em emissões de cotas ou em concentração setorial podem impactar a performance ao longo do tempo. Investidores com perfil mais conservador costumam preferir FIIs de papel com carteira mais simples e transparente, e a ampla diversificação do MXRF11, embora protetora em termos estatísticos, dificulta o acompanhamento individual das operações pelo cotista.
Há ainda o risco regulatório. Propostas recorrentes de tributar os rendimentos de FIIs ou de alterar o tratamento dos CRIs aparecem em pauta legislativa periodicamente, e qualquer mudança nesse arcabouço afetaria diretamente o yield líquido do fundo. A popularidade do MXRF11 como porta de entrada para iniciantes também é vetor de risco comportamental, com muitos cotistas alocando peso excessivo no ativo sem compreender a natureza de papel da estratégia, o que pode gerar frustração em ciclos de oscilação de cotação.