O maior risco da RDOR3 é a inflação médica. Custos hospitalares no Brasil sobem historicamente acima do IPCA geral, refletindo o aumento de medicamentos importados, salários médicos, novas tecnologias diagnósticas e judicialização da saúde. Repassar essa inflação às operadoras de planos exige negociações duras, e em ciclos de ajustes inferiores ao real custo, a margem de Ebitda do hospital é comprimida. A capacidade de capturar reajustes é fator crítico para preservar rentabilidade ao longo dos anos.
O segundo risco é a alavancagem financeira. Hospitais são ativos pesados em capital, e a expansão por aquisições e construção de novas unidades exige financiamento que pesa sobre a estrutura de dívida. A Rede D'Or operou historicamente com dívida líquida significativa, e em ciclos de juros altos (Selic elevada) o serviço da dívida consome parcela relevante do Ebitda. Aumentos de capital ou venda de ativos podem ser necessários se ciclos macroeconômicos se prolongam adversos.
A integração da SulAmérica representa risco estrutural. Operadoras de planos de saúde têm dinâmica regulatória complexa (sinistralidade, reservas técnicas obrigatórias, ajustes da ANS) e modelo financeiro distinto de hospitais. Erros na precificação de produtos, em controle de sinistralidade ou em gestão de carteira podem gerar perdas relevantes. A Hapvida, peer verticalizado, enfrentou desafios pós-fusão NotreDame Intermédica, e a Rede D'Or tem que provar capacidade de execução nesse modelo.
Por fim, há o risco regulatório e judicial. O setor de saúde no Brasil é fortemente regulado pela ANS, e mudanças em políticas de reajustes, em obrigatoriedades de cobertura ou em litígios judiciais podem afetar materialmente a estrutura econômica. Cobertura obrigatória ampliada por decisões do STJ ou do STF tem histórico de gerar custos não previstos para operadoras e prestadores. Custo trabalhista elevado de equipes médicas e de enfermagem, especialmente em regiões metropolitanas, é fator adicional de pressão sobre margem.