O principal risco da Sabesp é o regulatório. Como atua sob concessão regulada pela Arsesp, qualquer mudança em metodologia tarifária, em premissas de custo de capital, em fator X ou em obrigações de investimento pode afetar rentabilidade. As revisões tarifárias periódicas, que acontecem em ciclos definidos no contrato, podem reduzir margem se a Arsesp definir reduções relevantes em tarifa. O ambiente político brasileiro adiciona volatilidade, com possibilidade de pressão para conter aumentos tarifários em períodos de inflação alta.
O segundo risco é o capex pesado. Universalização de saneamento exige investimentos bilionários em coleta de esgoto, redes de água em áreas de baixa renda, novas estações de tratamento, perdas e digitalização. A Sabesp tem compromissos contratuais de investimento que pressionam fluxo de caixa livre nos próximos anos, com necessidade de captação de dívida e potencial impacto no payout de dividendos no curto e médio prazo. Em ciclos de juros altos, o custo do serviço da dívida pode comprometer geração de caixa livre.
Há riscos hídricos e climáticos. Eventos como a crise hídrica de 2014 e 2015 em São Paulo mostraram que estiagens prolongadas podem reduzir oferta de água nos mananciais, exigindo medidas emergenciais como rodízio de abastecimento, transposição entre bacias e construção de novas captações. Mudanças climáticas tendem a aumentar frequência de eventos extremos (tanto secas quanto enchentes), pressionando capex em resiliência hídrica e potencialmente afetando volume faturado em períodos de racionamento.
Há também risco operacional e ambiental. Estações de tratamento, reservatórios e redes de distribuição operam em ambiente complexo, com possibilidade de vazamentos, contaminação de mananciais, multas ambientais e ações judiciais por questões de qualidade de água ou efluentes. Operações em comunidades periféricas envolvem desafios de cobrança, vandalismo de infraestrutura e ligações irregulares. Por fim, transição de governança após privatização traz risco temporário de execução, com necessidade de profissionalização adicional, mudanças de cultura e potencial atrito com agentes locais (sindicatos, prefeituras, comunidades).