O principal risco da Vivo é a competição em telecom. O mercado brasileiro tem três grandes players (Vivo, Claro/América Móvil, Tim) competindo por base de clientes em mobilidade, além de operadoras regionais agressivas em fibra como Brisanet, Desktop e Algar. Em mobilidade, a saída da Oi do segmento (com divisão dos ativos entre Vivo, Claro e Tim em 2022) reduziu a competição em quatro para três players, mas pressão por preço em planos pré-pagos e em ofertas combinadas (mobile + fibra + streaming) segue alta.
O segundo risco é o capex pesado. Operações de telecom precisam investir continuamente em manutenção e expansão de rede, em ciclos tecnológicos como 4G para 5G e cobre para fibra, e em frequências em leilões da Anatel. A Vivo investiu bilhões de reais no leilão de 5G de 2021 e segue com capex anual elevado, o que pressiona fluxo de caixa livre e capacidade de aumentar dividendos no curto prazo. Em ciclos de juros altos, o custo da dívida amplifica o impacto.
A regulação é fator estrutural relevante. A Anatel define regras sobre preços, qualidade de serviço, neutralidade de rede, leilões de espectro e obrigações de cobertura em áreas remotas. Mudanças em política tarifária, exigências de universalização ou regras anti-trust podem afetar margem e capacidade de investimento. A migração de regime de concessão para autorização (LGT 2.0) em telefonia fixa é exemplo de mudança regulatória estrutural que ainda gera ajustes operacionais.
Há também o risco da disrupção tecnológica. Aplicações OTT (over-the-top) como WhatsApp, Telegram, Zoom, Netflix e Spotify substituem voz, SMS e parte do consumo de TV, capturando margem que historicamente era das operadoras de telecom. Plataformas globais usam infraestrutura da Vivo sem pagar pela rede, e movimentos como fair share (partilha justa de custos) ainda são debatidos sem solução estrutural. Por fim, há risco cambial em equipamentos importados (rede 5G, fibra) e risco macro de redução de poder de compra do consumidor brasileiro impactando ARPU.