O principal risco do XPLG11 é a sensibilidade à taxa básica de juros. FIIs de tijolo são precificados pelo mercado como ativos de duration longa, e ciclos de Selic alta deslocam capital para títulos públicos pós-fixados, comprimindo o preço da cota. Em 2022 e 2023, o XPLG11 e seus pares chegaram a negociar com descontos relevantes sobre o valor patrimonial, mesmo com fundamentos operacionais sólidos. O investidor que entra próximo de topos de ciclo de juros baixos pode amargar marcação a mercado negativa por trimestres seguidos, situação que exige horizonte de longo prazo para diluir o efeito.
Outro risco material é o de vacância e renegociação contratual. Embora o portfólio tenha vacância física historicamente baixa, contratos típicos podem ser revisados a cada três anos via ação revisional, e contratos atípicos chegam ao vencimento com necessidade de renovação. Em ciclos de oferta excessiva de galpões, especialmente em mercados como Cajamar e Extrema, há pressão sobre valores de aluguel pedido. A saída de inquilino relevante, recuperação judicial ou renegociação adversa pode comprimir receita real ao longo do tempo, exigindo da gestão capacidade de relocação rápida e manutenção de qualidade do imóvel.
O risco de gestão e alocação existe mesmo em fundos institucionais. Emissões de cotas frequentes, quando feitas em momentos desfavoráveis ou para adquirir ativos com cap rate inferior ao da carteira existente, podem diluir rentabilidade dos cotistas atuais. A taxa de gestão e a eventual taxa de performance reduzem o yield líquido em comparação com aluguel direto, e mudanças de equipe gestora ou de mandato estratégico podem alterar o perfil do fundo. O cotista precisa acompanhar relatórios gerenciais e participar de assembleias relevantes para identificar desvios e proteger seus interesses.
Há ainda riscos macro e setoriais. Recessões prolongadas reduzem volume de mercadorias movimentadas e enfraquecem demanda por novos espaços logísticos. Mudanças na legislação tributária dos FIIs, com propostas recorrentes de tributar dividendos, representam risco regulatório de cauda. Concorrência crescente entre FIIs logísticos por aquisições de qualidade pressiona cap rate, dificultando o crescimento via aquisição em condições favoráveis. Por fim, a evolução de modelos como microhubs urbanos e logística verticalizada pode, em horizonte longo, alterar o perfil de demanda por galpões periféricos tradicionais, exigindo adaptação contínua do portfólio.